corpo coletivo

Comunidade Carangolinha de Cima

A comunidade de Carangolinha de Cima, localizada na zona rural do município de Divino/MG, no entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (Serra dos Puri), é constituída por famílias agricultoras que mantêm os modos de vida tradicionais. As/Os moradoras/es se identificam como uma Comunidade Tradicional Pé de Serra que pratica a agricultura tradicional, mais recentemente entendida como agroecologia, que defende as águas e a mata. Possuem quintais biodiversos, dominam tecnologias sociais, produções artesanais (como a rapadura e produção de polvilho), artesanatos e receitas tradicionais que têm importância histórica no cotidiano da comunidade. Destaca-se o protagonismo das mulheres na luta pelas ameaças ao território, como o uso do agrotóxico e a mineração. Junto ao Acervo Biocultural produziram o Protocolo Biocultural e de Consulta da Comunidade Carangolinha de Cima – Divino, MG: direito ao seu território e ao autorreconhecimento como comunidade tradicional Pé de Serra (link). O Protocolo permitiu considerar o legado histórico de lutas e desafios da Comunidade, fortalecer a identidade, os saberes e as práticas e a oportunidade de relatar/anunciar todo o potencial da sociobiodiversidade local, bem como denunciar as ameaças contra a vida.

Povo Puri

O povo Puri, uma das etnias indígenas originárias do Sudeste do Brasil, ocupa tradicionalmente um extenso território que se estende do Vale do Paraíba até as regiões altas e médias do Rio Doce. Nas últimas décadas, o povo Puri tem vivenciado um processo de retomada, marcado pela valorização de sua identidade, cultura e direitos historicamente negados. O Movimento Indígena de Retomada Puri – Uxo Txori foi fundado em maio de 2021, sob a liderança de Helenice Maria Gomes (Txori Xapuko Puri). Surgiu em resposta à vulnerabilidade das famílias Puri durante a pandemia de COVID-19 e a necessidade de fortalecimento das identidades culturais e territoriais do povo Puri. O nome “Uxo Txori”, que significa “Mata do Território” no idioma Puri, expressa o vínculo ancestral do povo com o Bioma Mata Atlântica, cujo manejo tradicional está diretamente associado à sua conservação. Junto ao Acervo Biocultural produziram o Protocolo Comunitário Biocultural do Povo Puri Grupo Uxo Txori da Zona da Mata Mineira: do jeito que minha avó contava: expressões da oralidade – memórias – identidade e a defesa dos direitos consuetudinários de um povo que resiste (link). As comunidades Puri perceberam no Protocolo uma oportunidade valiosa para defender e reivindicar seus direitos, além de representar uma maneira de romper com a invisibilidade a que eram submetidas. Esse documento se tornou uma ferramenta essencial para fortalecer a identidade e a cultura das comunidades indígenas, favorecendo a manutenção dos seus conhecimentos tradicionais e a proteção de seu patrimônio biocultural.

Florentinos

Banhada pelo rio Caratinga (bacia do Rio Doce) e inserida no bioma Mata Atlântica, Córrego dos Florentinos é uma comunidade rural do município de Ubaporanga, leste de Minas Gerais. Em julho de 2019 foi construída a Oca Tokmã Kahap, que significa Bem Viver. É o Centro Cultural da comunidade, onde são realizadas atividades como oficinas, encontros e rodas de conversa e saberes; brincadeiras, pintura, música, história e poesia com crianças; danças e partilhas de comidas tradicionais. Todas essas atividades reúnem ancestralidade, memória da identidade, cultura e história. 

Junto ao Acervo Biocultural produziram o Livro: No caminho da Oca Tokmã Kahap: Registro da Sociobiodiversidade na Comunidade Córrego dos Florentinos, Ubaporanga-MG: reconhecendo guardiãs/ões, memórias, saberes e práticas ancestrais (link). O livro é um documento político de registro para as gerações presentes e futuras que pode ser utilizado para a defesa do território e para acesso a direitos da comunidade, além de ser material didático para processos educativos interculturais em escolas, universidades e outros espaços.

Comunidade Quilombola Buriti do Meio

A Comunidade Quilombola Buriti do Meio, está localizada na zona rural do município de São Francisco, no grande sertão do Norte de Minas Gerais, banhado pelas águas claras do rio São Francisco. Com  aproximadamente 250 a 300 anos, tem sua origem relacionada ao ex-escravizado Eusébio Gonçalves Gramacho, que, na narrativa dos mais antigos, veio da África para ser escravo na Bahia, mas resistiu a escravidão e fugiu para a região, buscando liberdade e autonomia Ele e sua esposa, Manuela, encontraram refúgio no território de São Francisco, onde instituíram o território quilombola, tendo a participação de seu companheiro Modesto e sua esposa Cipriana. O mundo social que na atualidade articula seus descendentes na coletividade de Buriti do Meio. O pesquisador e morador deste Quilombo, Zaquiel da Silva Santos, no diálogo próximo com a comunidade e com o Acervo Biocultural escreveu o Livro: Onde Nascem os Saberes: a interculturalidade pelos olhares e vivências dos guardiãs e guardiões dos conhecimentos populares (link). O livro traz as histórias culturais de resistências da Comunidade Quilombola Buriti do Meio.

Guardiãs e Guardiões dos Saberes Populares e Ofícios de Curas Ancestrais de Viçosa, MG, e região

As guardiãs e os guardiões atuam na cidade de Viçosa, MG, e região, cuidando e promovendo a cura do corpo e do espírito das pessoas que as/os procuram. São mulheres e homens, de diferentes etnias, religiões, culturas e modos de vida. Suas práticas contribuem para a salvaguarda da diversidade biocultural, especialmente por meio de seus quintais, sobretudo em contexto urbano. Esses espaços são verdadeiras farmácias vivas, onde são cultivadas diversas plantas medicinais. Seus modos de vida são baseados em práticas tradicionais, nas quais prevalece um sentido de comunhão e respeito com a natureza e com os seres vivos que a integram. Relatam o desaparecimento de espécies utilizadas em suas práticas, a escassez de água nos ambientes, o adoecimento da terra e as mudanças no regime do clima.

Junto ao Acervo Biocultural estão produzindo, já em etapa final, o Protocolo Comunitário Biocultural das(os) guardiãs(ões) dos saberes populares e ofícios de curas ancestrais.